domingo, 17 de julho de 2011

À Margem do Amor





Desde cedo abandonada, com olhar distante, sentimentos guardados, cimentados no fundo do peito. Nunca sentiu um afago, uma palavra de carinho, nunca lhe chamaram atenção, nunca lhe deram atenção.
Não era sozinha, tinha irmãos, cada um com sua vida, sua mãe se fora cedo e seu pai… Ah! Seu pai…, já não olhava mais em seus olhos e ela em sua tristeza, imagina que era falta de amor, mas seus olhos resplandeciam a essência de sua mãe,olhar que resgatou o pai do vicio,vicio que hoje consumia seu tempo, sua vida, sua alma. A bebida era seu suporte, seu encosto, sua muleta.
A noite, ao pé da cama, chorava,implorava o amor, queria sentir-se viva e não um cadáver a vagar sobre a terra, sem destino, naufragada, queria alijar-se desse destino sombrio que se descortinava a cada novo amanhecer.
Saiu de casa sem rumo, embriagada em seu sentimentos, pensamentos perniciosos rondavam sua cabeça e em sua loucura resolveu que deixaria o mundo,pois já não suportava o peso da indiferença.Arcou seu corpo no alto da ponte,decidida,desiludida e um redemoinho de sentimentos lhe tiravam a lucidez .
Então fechou os olhos, e ao abandonar seu corpo, sentiu algo a lhe segurar e ouviu uma voz:
- Filha… Perdão!
Abriu e olhos, seu pai a lhe abraçar forte, olhos marejados, a voz embargada, tentando lhe contar o sonho em que ela aos seus pés, fitava seus olhos e, o vazio, a tristeza e dor que sentiu.
Por instante o mundo parou e naquele momento de morte ela renasceu, tal qual à Fênix renasce, certa de que não mais sentiria solidão e conheceria de uma vez por todas o que lhe havia sido negado por toda a vida.
O AMOR

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